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São Januário, 05 de fevereiro de 2012. Neste domingo de sol e calor, o Vasco estreava sua reformulada casa em mais um jogo no campeonato carioca. Com novo gramado e vidro blindex no lugar das antigas grades (melhorando a visibilidade do campo), a equipe enfrentava o Friburguense, de olho na quarta vitória consecutiva.
Quem chegasse com a bola rolando, ia se atrapalhar. A tradição reza que se Vasco e Friburguense estão jogando, um de azul e outro de branco, o branco seja o Vasco e o azul seja o time serrano, correto? Ainda mais que o time branco está pressionando, perdendo oportunidades, não deixando o time azul jogar. Mas era exatamente o contrário. O Vasco estreava também seu novo uniforme, a belíssima camisa azul, deixando ao Friburguense a honra de jogar de branco. Só esqueceram de avisar à bola.
A equipe de Nova Friburgo marcou muito bem a saída de bola e pressionou o Vasco a dar chutões o primeiro tempo inteiro. Com dificuldades para sair jogando, o Vasco ainda deixava um espaço imenso em sua intermediária defensiva onde não era difícil ver o Friburguense chegar com cinco jogadores, contra apenas três vascaínos. Para nossa sorte, um deles era Dedé que, novamente, se multiplicou em campo. O problema é que os adversários percebiam isso e concentravam os ataques pelo lado esquerdo da defesa vascaína, onde Rodolfo e Thiago Feltri deixavam tudo rolar.
Quando parecia que sair para o intervalo com um 0×0 era a melhor coisa a se fazer, lembraram que o Vasco não é só Dedé. É também Juninho, dono de passe preciso, e Diego Souza, dono de cabeçada certeira. Em um córner já no fim do primeiro tempo, o Reizinho da Colina cobrou com maestria na cabeça do nosso camisa 10, que cabeceou com igual maestria para fazer 1×0. Comemorou homenageando sua filha recém-nascida. O próprio Diego havia perdido oportunidade semelhante pouco tempo antes e, desta vez não queria deixar a filha sem a justa homenagem…
Veio o segundo tempo e aquele ímpeto do Friburguense esfriou. Além do cansaço natural, os adversário sofreram com as substituições acertadas de Cristóvão Borges, que tirou Felippe Bastos e Allan e colocou Eduardo Costa e Felipe. Enquanto o primeiro fechou o espaço que se criou na intermediária defensiva vascaína, o segundo mostrou mais uma vez que além de grande jogador, é grande estrategista, ao pedir para Cristóvão deixar Juninho mais plantado enquanto ele corria.
O Vasco dominou a partida e só precisou de 14 minutos para liquidar a fatura. Juninho e Diego Souza apareceram novamente. O camisa 8 fez um lançamento magistral, a bola parou mansamente nos pés do camisa 10, que invadiu a área e, com uma tranquilidade incrível, tocou na saída do goleiro para fazer Vasco 2×0. A partir daí, foi tocar a bola e ver mais alguns lances geniais de Juninho, antes dele sair aplaudido de pé pelos mais de 8 mil presentes.
Juninho foi o melhor em campo, acompanhado de perto por Diego Souza, artilheiro da partida. Alecsandro novamente jogou bem, se movimentando, pedindo a bola e dando opções aos companheiros. Porém, mais uma vez destoa a presença de Felippe Bastos. Se Felipe e Juninho se revezam, Nilton e Eduardo Costa se revezam, Allan e Chaparro se revezam, Diego Souza e Bernardo se revezam, por que Felippe Bastos é titular absoluto?!? Mais uma vez não acertou nenhum passe, deixou um buraco no meio de campo e ainda por cima armou três contra-ataques do Friburguense. Vamos dar uma pausa nas coreografias, que o próximo jogo é a estréia na Libertadores, quarta-feira, contra o Nacional do Uruguai. Por favor, pensem em alguém mais produtivo neste meio de campo. Vamos lotar São Januário rumo ao bi da Libertadores!

Juninho sai de campo ovacionado, mais uma vez.
DENÚNCIA
Nem tudo são flores no caminho do Vasco rumo a mais um ano glorioso. Quem acompanha as divisões de base do clube sabe há muito tempo que há um jogador ali, uma jóia rara. Seu nome é Marlone. É o camisa 10 da equipe júnior e, na minha opinião, a maior revelação do Vasco nos últimos anos, mais até do que Phillipe Coutinho, Alex Teixeira e outros. Jogador muito bom, dono de bom controle de bola, driblador, passa bem, chuta de longe, cobra faltas, não cai com qualquer contato… lembra um pouco o estilo de Montillo. Os vascaínos contam os dias para este garoto subir ao time principal, porém estranham como isso está demorando. 2 anos mais novo, Jhon Clay já teve sua chance, mas Marlone continua à espera. Jomar e Douglas já estão entre os titulares, mas Marlone continua nos juniores, entra temporada, sai temporada.
Pois nesta sexta-feira, surgiu a notícia de que o Botafogo andou sondando o jogador, que também foi oferecido ao Flamengo. A diretoria, como sempre, dá respostas evasivas e diz que o jogador está nos planos nesta temporada sim… no time de juniores! O camisa 10 já dá mostras de insatisfação e pensa em sair.
Vale lembrar que Rodrigo Caetano saiu no fim do ano passado por denunciar um esquema de empresários na base, que estaria acabando com a renovação do clube. A diretoria se apressou em negar, mas não apresentou nada que provasse ser mentira o que denunciava o ex-diretor. Com mais essa notícia, os vascaínos já não têm dúvidas de que Rodrigo Caetano não mentia.
Fica aqui o meu apelo para que a diretoria não deixe Marlone sair e o aproveite na equipe principal o mais rápido possível. É sempre bom saber que esta é, provavelmente, a última temporada de Juninho Pernambucano e que Felipe também já está no fim de sua carreira. O Vasco tem um genuíno camisa 10 na base e está deixando ele ir embora facilmente. Abre o olho, Dinamite!

Palmas para a diretoria!
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