O pesadelo da Libertadores

O pesadelo da Libertadores

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No dia 8 de junho de 2011, começava o sonho da Libertadores para o Vasco, com a conquista da Copa do Brasil. Oito meses depois, no dia 8 de fevereiro, começava o pesadelo da Libertadores para o Vasco, com um banho uruguaio.

Quase 14 mil torcedores foram a São Januário ver a equipe reestrear na competição que ganhou em 1998, mais de 3 mil dias após sua última participação. A festa estava armada, os jogadores entraram com uma faixa em homenagem a Chico Anysio, Fernando Prass voltava ao time, Dedé estava confirmado após teste no gramado e Felipe e Juninho dividiriam o meio de campo cruzmaltino.

Homenagem a um vascaíno ilustre, que passa por maus bocados.

Bastou a bola rolar para a festa terminar. O Vasco ficou 3 minutos sem sequer tocar na bola, apenas vendo o Nacional do Uruguai trocar passes e chegar com perigo. Somente aos 22 minutos o Vasco soube que a Libertadores tinha começado, quando Thiago Feltri, Felipe, Alecsandro e Diego Souza trocaram passes rápidos e o camisa 10 chutou por cima, livre diante do goleiro. O Vasco, então, experimentou 7 minutos de domínio no jogo, atuando sempre no campo de ataque. Porém, em falhas da defesa, o Nacional começou a levar perigo até conseguir um escanteio pela esquerda. O zagueiro Scotti (que quase foi pro Vasco em 2010 e 2011) dividiu com Dedé no primeiro pau e a bola entrou mansa no gol de Fernando Prass. Silêncio em São Januário.

O Vasco, que já estava meio perdido, se desencontrou por completo. O Nacional cresceu, o meio de campo vascaíno não crescia e a torcida implorava para o relógio andar mais rápido, para encerrar logo o primeiro tempo. Desfalcado de sua ala direita (Fagner suspenso; Allan e Eder Luis machucados), o Vasco insistia em forçar naquele lado, mesmo sem ter com quem jogar. À exceção de uma bela arrancada de Diego Souza aos 45 minutos, driblando todo o time uruguaio até ser derrubado na meia lua, o Vasco não produziu nada. Max, escolhido para substituir Fagner, não acertava no ataque e levava sufoco na defesa. A impressão que dava era que todo o time tinha tremido por jogar tão importante competição.

Melhor momento de Max no jogo...

No início do jogo, cheguei a pensar que Cristóvão tinha lido minhas crônicas anteriores, barrando Felippe Bastos e colocando Eduardo Costa em seu lugar. Ledo engano. O Vasco é Felippe Bastos e mais 10! O meia/volante/coreógrafo entrou no lugar de Max no intervalo e a genialidade do treinador com esta inversão tática se fez presente com apenas 50 segundos.

Rodolfo tentou sair driblando e perdeu a bola. Dedé saiu em sua cobertura, o Nacional jogou a bola para a ponta direita e cruzou para a área. A bola encontrou Viudez livre, onde deveria estar um lateral direito, para cabecear para o fundo das redes. Enquanto os jogadores uruguaios comemoravam o 2×0, dava para ver Felippe Bastos na meia lua, pernas abertas e arqueadas, na típica pose da impotência. Oras, se o lateral direito está mal e você quer substitui-li, é para colocar alguém naquela função! Mas não, o futebol moderno exige que se você tira o lateral direito e coloca um meio de campo, este deve jogar no meio e que se exploda o lado direito da sua defesa!

Completamente perdido em campo e com 2 gols de desvantagem, o Vasco não teve forças para reagir. Juninho tentava se desdobrar em campo, enquanto Felipe errava tudo o que tentava. Felippe Titular Absoluto Bastos, por sua vez, insistia em fazer lançamentos de trivela para ninguém.

Desde o primeiro minuto a torcida pedia por Bernardo. O treinador, por sua vez, tinha mais uma idéia tática. Colocou o equatoriano Tenório, no lugar de… Alecsandro? Não, no lugar de Felipe! Se a bola não chega no centroavante porque o armador está mal, você tira o armador e coloca outro centroavante, para a bola não chegar a dois centroavantes! Isso se chama coerência, fazer o mesmo que foi feito no caso da lateral direita.

Tenório, coitado, até entrou bem. Correu, tentou buscar a bola, mas não é um jogador de velocidade, é de conclusão. Diego Souza também se desdobrou, foi para o meio tentar organizar algo e chegou a armar boas jogadas. Aos 28 minutos, Juninho conseguiu encaixar boa jogada pela direita e cruzou rasteiro para a pequena área. Aí sim encontrou o centroavante! Alecsandro tocou de primeira e diminuiu para o Vasco, dando novo fôlego à equipe.

O time partiu para cima e quase conseguiu a igualdade, quando Diego Souza deu lindo passe para Thiago Feltri chutar em cima do goleiro. No tudo ou nada, o Vasco teve uma última chance aos 45 do segundo tempo. Juninho cobrou falta e Tenório desviou para o fundo das redes. Porém estava impedido e o gol foi anulado. Descontrolado, Renato Silva xingou o bandeira e conseguiu ser expulso do banco de reservas.

Ao fim do jogo, a torcida xingou Cristóvão de burro. Mais uma vez, o treinador morreu no jogo com uma substituição a fazer. Mexeu mal e foi incapaz de atender aos apelos da torcida. Bernardo, irritado por não ter entrado, foi o primeiro a ir para o vestirário quando o jogo acabou. Poucos minutos depois, já no estacionamento, soltou um mal humorado “era para eu ter entrado, não era?”. E entrou mesmo! Entrou no carro e foi embora cantando pneu.

Se podemos tirar algo de positivo nesse jogo, foi a atuação de Eduardo Costa. Enquanto todos caminhavam, o cabeça de área corria, tentava fechar a entrada da área e ainda tentava sair jogando. Também podemos apelar para a mística. Na única conquista da Libertadores, em 1998, o Vasco estreou com derrota para o Grêmio (1×0), que também tem azul e branco em seu uniforme. O Vasco ainda perdeu e empatou os dois jogos seguintes, arrancando para o título no returno da fase de grupos.

Do lado uruguaio, o bom time armado por Marcelo Gallardo marca bem e sai com jogadas velozes pela ponta, trocando passes rápidos e precisos. O volante Damonte, com sua cabeça branca, parece um velho. Mas joga um futebol de garoto. Se multiplica em campo, desarma e arma com categoria. Recoba mostrou como um jogador experiente deve atuar, cadenciando o jogo e segurando o resultado. Uma aula de futebol aos vascaínos.

Ontem surgiu a notícia de que desde dezembro Ricardo Gomes não tem contrato com o Vasco. Dinamite chegou a sugerir a Juninho e Felipe que fossem treinadores/jogadores, mostrando mais uma vez seu desconhecimento de futebol. Romário foi treinador/jogador no ano que o Vasco caiu e Branco foi treinador/jogador no ano que o Fluminense foi rebaixado à série C, só para citar dois exemplos no Rio de Janeiro.

Se o Vasco tem a intenção de disputar algum título este ano, é bom começar a procurar um treinador. Enquanto não mexia no trabalho de Ricardo Gomes, Cristóvão conseguiu vitórias. Quando inventou, não conseguiu nada. Cristóvão nos custou um campeonato brasileiro, inventando Felipe na lateral esquerda, barrando o artilheiro e insistindo em Márcio Careca em jogos em que o Vasco tinha condições de alcançar a liderança. Ele vai nos custar uma Libertadores também. Abre o olho, Dinamite!

É o momento de esquecer a derrota e seguir em frente.

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Sobre o blogueiro: vasco

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João Guterres é vascaíno. Só isso basta.

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