Uma inexplicável tempestade em copo d'água
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Olá, estou começando um processo de atualização da lista que recebe as novidades do blog por e-mail. Se você deseja receber ou continuar recebendo, clique aqui e confirme seu cadastro. Obrigado!Nos últimos anos, a torcida lusitana sofreu com campanhas decepcionantes, equipes descomprometidas e classificações jogadas no lixo por perda de comando técnico no elenco. Isso tudo se repetiu na última década em praticamente todos os campeonatos. Com isso, o torcedor luso – que já possui um pessimismo e uma desconfiança no sucesso muito grande – acabou construindo um estilo de torcer muito próprio, onde a empolgação e o otimismo não têm muito espaço. Isso ficou muito nítido após os dois últimos jogos, uma derrota e um empate frente a times teoricamente fáceis de serem batidos. Essas duas partidas deixaram evidente a frágil relação de confiança entre a torcida e o time, não por falta de confiança nos jogadores, mas sim na Portuguesa, nos últimos anos. Uma relação que não consegue se fortalecer pelo medo, o medo de que o sofrimento das últimas temporadas volte.

Que a torcida da Portuguesa é pessimista, negativista, desconfiada, exigente e difícil de se conquistar é um fato. Isso vem de anos, vem da origem do clube, das raízes da torcida. Este estilo pessimista, negativista e saudosista é típico dos portugueses. Aliás, é um tema bastante abordado em Portugal atualmente, com a crise financeira e a reação do povo. É praticamente unânime este estilo português, algo impregnado nos lusos por séculos. Por aqui não seria diferente. Quem tem familiares portugueses ou convive com lusos, conhece bem este estilo. A torcida da Portuguesa, no futebol, é um reflexo fiel a esse estilo lusitano, fatídico e fadista.
Esse pessimismo natural e crônico se agravou nos últimos anos com tantas decepções e sofrimento. A campanha desta Série B foge completamente à realidade vivida pela Lusa na última década. Este campeonato tem sido um sonho para os lusos. Tanto se parece um sonho que grande parte da torcida lusitana se perguntava, mesmo nas sequências de goleadas, se tudo isso não é bom demais pra ser verdade. Esse fundo de desconfiança no sucesso – encoberto por um entusiasmo sem tamanho pelas excelentes partidas e extraordinária campanha nesta Série B – ganhou nitidez após a derrota para o Vila Nova e o empate com o Duque de Caxias. E a Lusa perdeu justo para as equipes que lutam para não cair, ou seja, os tropeços mais marcados nos últimos anos.
As onze vitórias e os três empates, a melhor campanha da história da Série B nos pontos corridos até então, o bom futebol mostrado pelo time, a felicidade, a confiança no acesso, a esperança pelo título, tudo isso foi rapidamente ignorado após apenas duas fracas exibições. Tudo bem, concordo que a Portuguesa jogou muito mal nessas partidas, deixou de lado seu estilo de jogo, sua disposição, seu bom preparo físico, ou seja, sua identidade. Concordo também que eram dois jogos onde a vitória se fazia obrigatória, onde os pontos se mostravam preciosos. Porém, será que essas míseras duas partidas mal jogadas são passiveis de tanto desespero, pessimismo, revolta, indignação e desilusão?
Não somos invencíveis, estamos longe de ser imbatíveis. Não há equipe na face da terra que mantenha o bom futebol em todos os jogos de um campeonato tão longo. No futebol atual, não há campeão que encerre a campanha invicto. Não existe equipe isenta de tropeços, de noites inexplicáveis, onde tudo dá errado, onde nada acontece. Sei que a Lusa pecou demais nos dois últimos jogos, sei que esta última partida preocupou, sei que dá pra ficar com um pé atrás. Porém, não podemos nos desesperar. Não podemos esquecer a excelente campanha construída pelo time até então, não podemos ignorar o fato de que somos líderes isolados, com o melhor ataque do país, com mais de metade dos pontos necessários para o acesso conquistados. Não podemos, da noite para o dia, mudar radicalmente nossa relação com o time, com o técnico.

Fui a Volta Redonda na última rodada, vi de porto o péssimo futebol da Lusa. Vi e compreendi a revolta de alguns torcedores lusos. Entendi muito bem as razões pelas quais muitos xingaram alguns jogadores em específico após o jogo. Mas também compreendi muito bem o lado de Jorginho. Entendi muito bem seu sinal de negação para a torcida ao final da partida. Não adianta xingar os jogadores, de nada vale ofender o técnico. Somos líderes, estamos com meio caminho andado, temos o melhor ataque do Brasil. A relação entre os jogadores vem se mostrando ótima e a relação entre time e torcida vinha se mostrando excelente. O que adianta mudar isso? Só piora ainda mais a situação.
Entendo ambos os lados, não condeno completamente a torcida. Porém, é preciso ter calma e principalmente inteligência. O time não iria e não irá vencer todos os jogos. A equipe não dará espetáculo em todas as partidas. Os jogos ficarão cada vez mais difíceis, ainda mais no Canindé. Ainda teremos muitas retrancas pela frente, muitos jogos amarrados dentro de nosso próprio estádio. O time precisa de uma torcida que apoie, que jogue junto, que incentive na vitória ou na derrota, se está jogando bem ou mal. Eles tem esse direito por aquilo que já fizeram nesse campeonato. Nós é que não temos razão de ficar xingando, reclamando, encontrando problema onde não há. Precisamos de união, e logo, pra ontem.
Sejamos, pelo menos uma vez na vida, otimistas. Deixemos os xingamentos para os momentos em que eles se fazem úteis. Não estamos em um momento de crise, de racha, de má fase, de falta de vontade. Pelo menos não devemos pensar assim, nem devemos cogitar isso. Foram dois jogos atípicos, dois tropeços, simples deslizes. A boa fase continua, a boa campanha terá sequência, a magia não acabou. Esse tem que ser o pensamento, até que nos provem o contrário. E a torcida é para que não provem. A torcida precisa apoiar e entender o quanto isso é importante. Sábado a torcida lusitana tem um papel fundamental a desempenhar. Esperemos que a sensatez prevaleça no Canindé e que a vitória volte a nos alegrar com o ar de sua graça.














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