Caso Guilherme: agir mais pela razão que pelo impulso
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Olá, estou começando um processo de atualização da lista que recebe as novidades do blog por e-mail. Se você deseja receber ou continuar recebendo, clique aqui e confirme seu cadastro. Obrigado!Após uma excelente e histórica campanha vitoriosa na Série B de 2011, é mais do que natural que alguns jogadores do elenco luso sejam preteridos pelos mais endinheirados clubes do futebol nacional. As revelações, as pratas da casa, são ainda mais assediadas. Ainda mais em se tratando de Lusa, que tem a tradição de revelar grandes jogadores ao longo de sua história. Desses jovens atletas que surgem do celeiro rubro-verde e que se destacaram nessa temporada, Guilherme é talvez a jóia mais valiosa.
Jogador de muita qualidade, totalmente acima da média. Um atleta que, se tiver cabeça e suporte, terá um futuro brilhante. Bola não falta.
O Corinthians, antes mesmo de a Portuguesa se sagrar campeã, já demonstrava interesse na contratação de Guilherme. Porém, o jogador ainda tem um contrato longo com a Lusa, que quer contar com ele para a elite no próximo ano. A prioridade foi dada ao time de Parque São Jorge, mas jamais se falou em liberá-lo neste momento. A princípio, no caso de Guilherme continuar, podemos considerar um amadurecimento tanto da mentalidade do clube quanto da mentalidade do jogador – em comparação aos exemplos dos últimos anos. Porém, nesses últimos dias, o que vemos é o contrário. Parece que todos os lados envolvidos na questão não aprenderam com os vários exemplos que presenciaram.
A mídia noticia incessantemente que o Corinthians faz pressão para tirar Guilherme da Lusa. Por mais que isso possa não estar acontecendo na prática. Nossa diretoria deixou essa bola de neve crescer, demorou a se pronunciar desmentindo a situação. Quando o fez, foi abafada por mais notícias sobre o interesse alvinegro. O ponto alto do caso aconteceu após uma partida beneficiente da qual Guilherme participou, realizada no Pacaembu. Rodeado por um bombardeio de informações do interesse corinthiano e, segundo ele, sem saber nada a respeito da posição da Lusa e de seus representantes, Guilherme soltou a frase mais espontânea e infeliz que poderia.
É ingênuo pensar que o jogador faria pouco do interesse corinthiano. Era o sonho de nossa torcida, mas é claro que isso não aconteceria. Qualquer um faria o mesmo, no sentido de deixar as portas abertas. Mas, fez o certo de modo errado. Disse que, como todo atleta, ficava feliz por despertar o interesse de um clube de maior expressão. Porém, um discurso de atleta de time pequeno, sem camisa e sem torcida para se importar com o que ele diz. Pode até não ter dito nada demais (deixando claro que acho completamente descartável o que ele falou), mas na Lusa é faísca suficiente para fazer um fogaréu arder. Tudo bem que Guilherme é jovem e tem muito a aprender, mas está na Portuguesa desde muito pequeno, conhece o clube e a torcida. Já deveria saber que, no Canindé, isso não se diz nem na mais inocente e pura brincadeira.
Só nesta declaração, Guilherme perdeu a unanimidade das arquibacadas. Unanimidade que ele tinha. Perdeu, talvez, a chance de ser ídolo do clube. Chance que também tinha. Talvez ainda não tenha noção da dimensão da Portuguesa. Muitos só tem depois que por lá passam. Edno que o diga. Aliás, Guilherme jogou a Série B inteira ao lado de um exemplo vivo do que não deveria ser feito. Assim como deve ter visto Diogo sair prematuramente e tropeçar em um caminho que tinha tudo para levá-lo ao sucesso. O jogador errou. Pelo menos, na Lusa, onde as coisas são diferentes, ele errou. Mas ele não é o único culpado. Está longe de ser.
Ao saber da declaração, era hora do clube ir atrás do atleta. Ficou nítida a indisposição da torcida após a declaração. Chamava-se de canto, falava que a Lusa queria contar com ele em 2012, que não o liberaria, explicava o pontencial que ele tem para sair do Canindé direto para o exterior, que ele ainda tem muito a aprender, a crescer e a vencer ali. Junto com isso, explicar que não é desse modo que se trata a torcida da Portuguesa. Que ali as coisas, pro bem e pro mal, são diferentes. Alertá-lo para suas futuras entrevistas, mostrar os atalhos de como se dar bem no Canindé e não cair na armadilha dos urubus de plantão. Porém, nada disso aconteceu. Pelo menos que eu saiba.
Nada foi feito. Tudo foi acontecendo sem nenhuma ação. Prever o que ocorreria era fácil. Era inevitável. O jogador recebeu tudo, menos elogios, tanto via internet como pessoalmente. Na internet eu presenciei. Pessoalmente, não. Mas conhecemos nossa torcida, não duvido nada que tenha acontecido. E é algo natural. Torcedor é emoção, não é razão. Isso em qualquer lugar. Porém, concordo que é também imaturo e irresponsável fazer isso com o atleta. A torcida é outra que não aprendeu com os erros passados. O garoto tem potencial, tanto de bola quanto de lucro, não podemos queimar nosso patrimônio. Se a torcida perdoou Edno por muito mais, por que não ter paciência com Guilherme?
Pronto. A bomba explodiu. O Globo Esporte já noticiou, a partir de poucas palavras do jogador, que ele está sendo ofendido e ameaçado pela torcida da Portuguesa por aquilo que disse no Pacaembu. Culpar a imprensa? Não. Se um jogador diz a um jornalista que foi ameaçado e ofendido por torcedores no próprio clube, não se pode esperar outra atitude do jornalista. Pelo contrário, a revolta deveria vir se ele não noticiasse. É a função dele. E outra, se Guilherme não está suportando a pressão de nossa torcida, imagine a do Corinthians, clube que tanto o quer. Será que ele já pensou nisso? Fato é que toda a nova imagem do clube e da torcida podem estar indo por água abaixo. Toda a boa aura em torno de nossa maior revelação, de sua admiração por parte da torcida e expectativa pelo próximo ano vão pro ralo.
Por quê? Por nenhum de nós aprendermos com os erros do passado. A diretoria mostra que ainda não sabe como agir quando tem uma jóia nas mãos. O jogador mostra que não aprendeu muita coisa com os anos de Lusa que tem nas costas e com os exemplos que viu. E a torcida também não tirou lição alguma do passado, de quando nós mesmos nos prejudicamos. Precisamos de mais razão e menos emoção. De mais profissionalismo e menos amadorismo. Precisamos aprender a jogar o jogo. Futebol é esperteza, é inteligência, é malícia, é jogo de cintura, tanto dentro quanto fora das quatro linhas. Todos – diretoria, jogadores e torcida – precisam ter noção de realidade, agir menos por impulso, para que todos cresçam e se dêem bem em conjunto. Do contrário, voltaremos a tropeçar em nossas próprias pernas.














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