A saída de Edno, a chegada de Ricardo Jesus e o futuro
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Olá, estou começando um processo de atualização da lista que recebe as novidades do blog por e-mail. Se você deseja receber ou continuar recebendo, clique aqui e confirme seu cadastro. Obrigado!Em duas semanas a Lusa teve grandes mudanças e novidades no ataque do time que ainda tenta embalar neste Paulistão. Edno foi negociado, por iniciativa do Corinthians, com o Tigres do México. A venda do jogador rendeu R$2,8 milhões aos cofres lusos. Em contrapartida, a Portuguesa anunciou nesta semana a chegada de um novo atacante. Trata-se de Ricardo Jesus, que foi um dos artilheiros da última Série B vestindo a camisa da Ponte Preta.
Edno chegou à Portuguesa em 2008 após se destacar vestindo a camisa do Noroeste de Bauru naquela edição do Campeonato Paulista. Àquela altura, o Santos tentou furar a negociação na última hora, mas a Lusa levou a melhor. Edno demorou a encontrar sua real posição no time. Atuou mais aberto pela esquerda, mais recuado na meia, na frente vindo de trás, até que o colocaram no ataque.
Seu primeiro ano de Lusa agradou a muitos torcedores, mas confesso que a mim não. Naquela época eu era voto vencido nas arquibancadas do Canindé. Era o famoso corneteiro, e por vezes até me sentia assim. Quem me conhece e me acompanha sabe que nunca fui fã do futebol dele. Na época, o Grêmio chegou a oferecer o atacante Jonas em troca de Edno. A Lusa rejeitou aquela que eu achei – e ainda acho – a melhor proposta que já fizeram à Portuguesa nos últimos anos. Sem contar as outras milionárias propostas que recebeu.
Edno ficou, seu rendimento caiu e meu desagrado aumentou. Não só meu, mas de grande parte da torcida também. Seu estilo – que sempre me irritou – começou a irritar a maioria dos torcedores. Chuteira colorida, cortes de cabelo diferentes, brincadeirinhas na mídia, e a busca pelas lentes das câmeras de televisão a cada gol perdido. E naquele período não eram poucos. Disse que não era jogador de Série B e que não a disputaria. Discutiu com torcedores, xingou e fez gestos obscenos.
Protagonizou um dos acontecimentos mais lamentáveis da história da Lusa junto com Renê Simões e saiu. Parte de seu passe foi vendido ao Corinthians por um valor que, comparado às propostas do ano anterior, era pífio. E ainda parcelado a Deus-dará. Edno esquentou o banco do Corinthians, teve poucas chances, as quais não aproveitou. Foi emprestado ao Botafogo, mostrou um futebol apagado em um time ainda mais sem brilho. Voltou ao Corinthians e se viu rejeitado pela comissão técnica.
Eis que ele volta ao Canindé, por empréstimo. O improvável aconteceu. Muitos torcedores foram contra, ouso dizer que a maioria. E eu fui um deles. Edno voltou ao Canindé como se fosse outro jogador. O tempo fora da Lusa fez com que ele amadurecesse demais. Edno percebeu que não era o craque que outrora julgava ser. Sentiu o que era não ser estrela, mas opção. Teve noção de suas qualidades e do quanto precisava ser humilde. E acho que essa palavra resume bem sua segunda passagem pela Rubro-Verde: humildade.
Edno voltou humilde. Acanhado em relação à torcida, solidário dentro de campo. Correu, lutou, brigou, se determinou. Integrou-se ao grupo como estando ao lado de semelhantes. A relação vertical que tinha com todos tornou-se uma relação horizontal. Largou os cortes de cabelo estranhos, as chuteiras reluzentes e deixou de lado a busca pelas câmeras. Nunca foi o principal jogador do time, não foi goleador e nem artilheiro. Mas foi importante dentro do esquema de Jorginho. Um atacante no papel, uma posição indeterminada na prática.
Costumo dizer que Edno era o homem que flutuava em um ataque que não teve atacantes. E que ao mesmo tempo foi o melhor ataque do Brasil. Edno não foi o grande nome jogando exatamente nesta melhor linha de fogo do país. Mesmo porque ele não é um craque. Edno é um jogador mediano, que às vezes faz a diferença, como às vezes se vê apagado nas partidas. Um atleta que importantíssimo quando com um espírito guerreiro, brigador, determinado. Quando corre, sua, tenta de todas as formas. Sim, Edno se redimiu. Ele deu a volta por cima. E fez as pazes com a torcida.
Porém, não considero que fará a falta que muitos andam dizendo. Financeiramente foi uma ótima. Nunca foi a peça principal do time. Poderia ser agora que Jorginho tenta impor um novo esquema. Tanto nesse novo esquema quanto no do ano passado, a Lusa precisa de um goleador nato. E eis que chega Ricardo Jesus. No futebol não podemos ter certeza de nada, mas estou muito confiante após essa contratação.
Repetirei aquilo que os que me acompanham já estão fartos de ler. Na minha opinião, a Lusa precisa manter o esquema da campanha do título. Apenas um atacante, e que se movimente, flutue no ataque. E de preferência um matador, o que Ricardo Jesus foi na Ponte Preta. Ananias apoiando pela esquerda, Henrique caindo pela direita e Ricardo Jesus atuando mais centralizado, enfiado entre os zagueiros, com a movimentação que nosso esquema exige, pode ser a melhor arma para a Portuguesa voltar a ter aquele futebol envolvente e de muitos gols do ano passado.
Que Edno leve consigo toda a sorte do mundo, os parabéns por sua volta por cima na Lusa e o agradecimento pelo que fez na última Série B. E que a Lusa, com Ricardo Jesus ou qualquer outro, consiga embalar neste Paulistão, acertar definitivamente o seu ataque neste ano e fazer uma excelente temporada. Vida que segue, sem alardes.
Por Luiz Nascimento
















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