A importância de uma possível permanência de Jorginho

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A Portuguesa vive uma das melhores fases de sua história. Depois de uma campanha irretocável, superior à dos sonhos de muitos lusos, a Rubro-Verde pôde levantar sua primeira taça a nível nacional. O título brasileiro da Série B e o retorno triunfal à elite do futebol brasileiro deixam claro que a Lusa vive um momento de transição. A Portuguesa sofreu mudanças bruscas após a chegada de Jorginho, principalmente na sua postura em relação ao futebol e no reconhecimento de sua grandeza. A Lusa volta fortalecida, com a imagem restaurada, com o orgulho de seu torcedor restabelecido. O grande objetivo para 2012 é, pelo menos, brigar pelo título paulista e se manter com tranquilidade na Série A do Campeonato Brasileiro.

Todas as mudanças já ocorridas – que propiciaram toda esta volta por cima – e as que precisam vir para que a Portuguesa se firme novamente como um clube grande passam por um nome: Jorginho. Antes de entrar no mérito da questão, quero destacar uma opinião que ouvi sair da boca de muitos torcedores. Dizem eles que devemos reconhecer, parabenizar e agradecer a Jorginho por tudo que fez, mas não idolatrá-lo. Considero isso o ideal, porém, uma utopia. Não se pode querer que uma torcida tão sofrida e carente de ídolos que a respeitem tratem com tamanho distanciamento o grande responsável por uma de suas maiores alegrias nas arquibancadas. Jorginho é o grande responsável por tudo que aconteceu à Lusa nesta temporada. Ele entrou de vez para a história da Portuguesa. É e será para sempre um ídolo, a não ser que cometa erros que outros tantos cometeram, o que não acredito que acontecerá.

Sejamos realistas e justos. Não foi a toa que a Lusa bateu na trave nos últimos anos, tanto na Série B quanto no Paulista. Durante pelo menos uma década, a Portuguesa careceu de pessoas que realmente entedessem de bola em seu Departamento de Futebol. Sempre faltou aquele que soubesse quem contratar, onde encontrar, como negociar, a maneira de tratar, o jeito de encarar o trabalho e por aí vai. A Lusa contava, e ainda conta, com a boa vontade, o amor e a dedicação de alguns dirigentes. E só. Apenas isso não bastava. Não era suficiente haver quem tentasse colocar ordem na casa e quem colocasse dinheiro quando o clube precisasse. Era preciso alguém que soubesse dar utilidade a este dinheiro, a esta dedicação. Há anos que a torcida lusa pedia um gerente de futebol remunerado, algum profissional da bola que trabalhasse no Departamento de Futebol, principalmente para tratar de contratações.

Jorginho chegou ao Canindé nos moldes amadorescos aos quais a Lusa estava acostumada a ser gerida. Não que fosse ruim. Era a única maneira que, no Canindé, conheciam. Chegou por ser afilhado do vice de futebol, por estar desempregado, por gostar do clube e por confiar na amizade que tinha, e tem, com alguns dos que comandam o futebol luso. Tudo ficou decidido na palavra, na honra, no fio do bigode. Jorginho caiu como uma luva. O treinador tinha, e tem, tudo aquilo que a Portuguesa precisa. Fez uma lista de jogadores desconhecidos, porém acessíveis, para contratação. Gerou a desconfiança de muitos, mas mostrou, um por um, que não errou em nenhuma delas. Jorginho sabe onde, como e quando encontrar bons jogadores. Sabe o perfil que o clube necessita. Conhece os caminhos para se ter um elenco na mão. Era o homem que faltava à Portuguesa.

Também temos que citar as conquistas de Jorginho dentro de campo, porém, considero as dos bastidores como as mais importantes. Todos sabem a maneira como ele levou este time ao título. Como tratou cada atleta, como pediu ou aceitou a contratação de cada um. Como mudou a mentalidade do time e como colocou a Portuguesa como a principal prioridade. Hoje, ao ver a Lusa campeã brasileira e garantida na elite do futebol nacional, temos a prova da competência e da importância de Jorginho. Claro que os jogadores têm sua parcela de importância dentro de campo, porém, Jorginho é a base. Agora, o treinador está em processo de renovação de seu contrato. Dinheiro não parece ser problema. Jorginho faz exigências à diretoria. Exigências estas que os dirigentes, por si só, já deveriam ter como prioridade.

Quando Jorginho diz que a Portuguesa precisa saber andar com as próprias pernas, significa que a Lusa necessita ter pessoas capacitadas no comando do futebol. A Poruguesa tem que aprender com Jorginho que seu problema não estava apenas no campo, mas também fora dele. É preciso fortalecer e profissionalizar o Departamento de Futebol, independentemente de quem seja o técnico. Jorginho faz algumas exigências. Ele pede reformas no defasado Centro de Treinamentos da Portuguesa, uma profissionalização do trabalho nas Categorias de Base e uma mudança na maneira de a diretoria se relacionar com os jogadores. Esses são pontos fundamentais para que a Lusa, enfim, se fortaleça e se reestabeleça como uma das forças do futebol paulista e nacional. Isso precisa ser feito. Pra ontem. Ou a Portuguesa dá sequência à sua mudança de rumo, ou volta aos anos de sofrimento.

Enquanto alguns interpretam os pedidos de Jorginho como argumentos para justificar uma possível saída, considero que o treinador está fazendo aquilo que poucos têm a coragem e a dignidade de fazer. Além de almejar excelentes condições de trabalho para o próximo ano caso fique na Lusa, quer deixar um legado ainda maior ao clube. Jorginho, assim como nós torcedores, sabe que a Portuguesa vive um momento de transição. Ela tem duas rotas a sua frente. Ou escolhe o caminho do profissionalismo e da estruturação. Ou opta pelo costumeito amadorismo e pelo retrocesso à década de insucessos. Vivemos um momento crucial, um ponto de virada. É preciso que a diretoria tenha completa ciência disto.

A manutenção de Jorginho e da espinha dorsal deste elenco para o próximo ano, de uma maneira ou de outra, são cruciais. Podemos entrar fortes na briga pelo título do Paulistão. Sem Jorginho, temo que não haja outro homem acessível e com capacidade de dar sequência a este trabalho. Temo mais. Temo que a diretoria volte a tratar o clube como antes. É claro e evidente que a Portuguesa ainda atravessa um momento dificílimo no âmbito financeiro. Não é da noite para o dia que tudo mudará, que as exigências de Jorginho serão cumpridas. Porém, é melhor gastar mais do que se pode agora e colher frutos no futuro que pensar miseravelmente e logo voltar ao ostracismo de antes. Lembrar dos anos anteriores de gestão desta mesma diretoria me dá calafrios. Jorginho desempenhou um papel muito mais importante para esta volta por cima da Lusa que a própria diretoria. Torcida, time e comissão técnica mudaram suas posturas. A única que ainda precisa provar que mudou é a diretoria. Este é o momento.

Comente:

  • Manuel H M Moreira [Visitante]

    A torcida não perdoará a diretoria se a mesma não renovar o contrato da comissão técnica.

  • irineu [Visitante]

    Em qualquer time que seja CAMPEÃO, jamais se cogita a saída do técnico, tanto por ele próprio não ter certeza de querer ficar, quanto da diretoria não saber se quer ficar com ele…só na Portuguesa isto acontece! Esta definição já deveria ter acontecido…pra ontem!

  • José Antonio [Visitante]

    Novamente brilhante seu texto. Acerta na mosca na sua análise. Cabe a diretoria, continuar o trabalho que foi iniciado. Lembrando que a própria diretoria, afinal de contas, pegou carona no sucesso e nas conquistas do Jorginho & Cia. Resta saber qual o futuro que esta diretoria quer para a LUSA.

  • Luis Neto [Visitante]

    Texto muito inteligente e esclarecedor. O que acho estranho é que essa modernização e profissionalização deveriam ser metas da diretória e nesse caso é o treinador que exige profissionalismo.

  • http://osgeraldinos.com.br/alambrado/portuguesa Rodrigo Guilhoto [Visitante]

    Luiz,

    Depois de um ano brilhante, esta na hora da diretoria mostrar que aprendeu e que quer continuar a fazer da Associação Portuguesa de Desportos um clube de verdade e força…que mostrem profissionalismo e façam a manutenção da comissão técnica. Isso feito, com certeza a espinha dorsal do time será mantida e ficaremos mais tranquilos para 2012. Do contrário, que Deus nos proteja !

    Que não passem de bestiais a bestas nesse momento tão decisivo no ano !

  • j alex atibaia [Visitante]

    Luiz, é isso ai, eu acredito que o Jorginho ficando, 90% do time principal tbm fica.
    Jorginho é nosso D.Sebastião.
    se o deixarem ir, ficarão na história como os mais inconpetentes.

  • Marcos Alves Tavares [Visitante]

    Perfeito o seu comentário.
    Jorginho, além de técnico, está mostrando que se importa com o futuro do clube e que são necessárias mudanças profissionais. Isso que é amor ao clube, já que seria comodo ficar na posição só de técnico.

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Sobre o blogueiro: Luiz Nascimento

Luiz Nascimento
Estudante de Jornalismo, lusitano fanático das arquibancadas do Canindé, das viagens, de sol, de chuva, das vitórias e das derrotas. Presenteado por Deus com um coração que pulsa em formato da Cruz de Avis. Às vezes corneteiro, mas sempre defendendo as cores rubro-verdes. Responsável pelo blog Sangue Rubro-Verde.

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